Resenha: Duna de Frank Herbert

Título: Duna
Série: Crônicas de Duna #1
Autor: Frank Herbert 
Gênero: Ficção Cientifica 
Editora: Aleph
Páginas: 680
Ano: 2017

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Classificação: 5/5 
  
Sinopse: "Não conheço nada que se compare a este livro, a não ser O Senhor dos Anéis." - Arthur C. Clarke. A vida do jovem Paul Atreides está prestes a mudar radicalmente. Após a visita de uma mulher misteriosa, ele é obrigado a deixar seu planeta natal para sobreviver ao ambiente árido e severo de Arrakis, o Planeta Deserto. Envolvido numa intrincada teia política e religiosa, Paul divide-se entre as obrigações de herdeiro e seu treinamento nas doutrinas secretas de uma antiga irmandade, que vê nele a esperança de realização de um plano urdido há séculos. Ecos de profecias ancestrais também o cercam entre os nativos de Arrakis. Seria ele o eleito que tornaria viáveis seus sonhos e planos ocultos?Ao lado das trilogias Fundação, de Isaac Asimov, e O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien, Duna é considerada uma das maiores obras de fantasia e ficção científica de todos os tempos. Um premiado best-seller já levado às telas de cinema pelas mãos do consagrado diretor David Lynch.


Olá, pessoal! Tudo traquilo?  Tudo que eu escrever sobre Duna será pouco devido a grandiosidade e genialidade dessa obra prima da ficção científica. Escrita pelo magistral Frank Herbert e publicada em 1966. Vencedora do prêmio Hugo do mesmo ano de seu lançamento e um dos livros mais vendidos do gênero, Duna é um dos principais pilares do sci-fi moderno.  

A história de Duna ocorre 20.000 anos no futuro terra, a qual não é mais habitada e sua lembrança está esquecida. A humanidade já colonizou o espaço e vive em planetas que são feudos de grandes famílias aristocráticas. A principal contenda do livro gira em torno do duelo politico entre três casas nobres: a Casa Imperial Corrino, a casa Atreides e a Casa Harkonnen. 

Shaddam IV, Imperador de todo o universo conhecido, vê o aumento da influência dos Atreides na Landsraad como uma ameça ao seu trono. Além desse carisma e popularidade com as casas menores, os Atreides possuem uma força militar expressiva e generais talentosos como, Duncan Idaho, Gurney Halleck e o mentat Thufir Hawat.  

Esse conjunto de fatores fazem o Imperador decidir pela destruição dos Atreides. Para isso ele oferece o feudo de Arrakis, único local onde se extrai a especiaria melange, para os Atreides. Anteriormente, Arrakis era administrada pelos Harkonnen, que possuem uma rivalidade e inimizade com os Atreides antiga. 

Acredito que esse seja o plot principal de Duna e falar mais que isso acaba estragando a leitura, pois o melhor pra mim na leitura foi entrar num universo que eu não entendia nada e ir descobrindo aos poucos o que é cada coisa. Duna pode causar esse estranhamento, pois te joga no meio de uma rixa entre nobres 20.000 anos no futuro cheio de termos, nomes e funções diferentes. 

Ademais da intriga politica, outra coisa de muita importância é o aspecto religioso de Duna. Por causa do Jihad Butleriano e da instituição da bíblia católica laranja são proibidas máquinas pensantes. Essa proibição dá a tecnologia do livro uma aparência analógica. O trabalho de cálculo é feito pelos mentats, homens treinados desde a infância para usarem suas mentes como computadores. A navegação espacial é feita pelos Navegadores que se utilizam da especiaria melange para ter uma presciência e permitir o voo entre as estrelas. 

A melange é a principal riqueza do universo de Duna. Podendo ser apenas extraída no árido planeta de Arrakis, ela que permite a viagem entre planetas, fora dar poderes prescientes e prolongar a vida. O que causa a dificuldade na extração da especiaria são os vermes de areia (Shaitan, Shai-Hulud). Esses seres gigantescos vivem nos desertos de Arrakis e destroem os equipamentos utilizados na retirada da melange. 

Também dentro desse universo, temos a ordem matriarcal Bene Gesserit. Essa irmandade de mulheres tem o dom de consultar o passado de sua linhagem histórica feminina, além de habilidades físicas e mentais. Sua influência consiste em que cada Grande Casa possui uma delas como esposa, concubina ou/e conselheira. Através dos séculos elas vem tentando criar a sua contraparte masculina, o Kwisatz Haderach. Esse homem seria capaz de enxergar todos os futuros possíveis e acessar o passado proibido para elas. 

Duna é um romance alegórico, escrito no auge da Guerra Fria. Podemos perceber como certas nuances de nossa história se espelham nessa ficção. Os Atreides e os Harkonnen são a polarização Estados Unidos e União Soviética. A melange soa como se fosse o petróleo e Arrakis, o Oriente Médio.  Essa alegorização funciona por causa da ótima escrita de Frank Herbert. 

Outro ponto que chama atenção é o fato de que Duna não está preocupado em focar na tecnologia, algo comum nos livros de ficção cientifica da época, mas sim trabalhar a relação politica, as intrigas e o jogo de poder das Casas Nobres. Aliás, outro fator chamativo é a importância da questão ambiental. Duna é o primeiro grande romance de sci-fi a tratar de aspectos relevantes da biologia e ecologia, coisa que só vi sendo recuperada com força na Trilogia de Marte do Kim Stanley Robinson.  

Por fim, Frank Herbert é um dos meus escritores preferidos, apesar de ser apenas conhecido por Duna e suas sequências, ele é um dos mais habilidosos autores de ficção cientifica. Seu texto não é estéril ou clinico, mas tem curvas e nuances atrativas. Digo isso, pois as continuações de Duna não tem uma história tão poderosa quanto seu original, porém a força narrativa continua intacta. 


P.S.1: Livro recebido de parceria com a Editora Aleph.

P.S.2: "Aquele controla a especiaria controla o Universo!"

P.S.3: Ah, essa nova edição está belíssima. Capa dura. E que arte da capa é essa??? Primorosa!  

No mais, até a próxima resenha.


2 comentários:

  1. Tenho tanta vontade de ler esses livros de sci-fi mas bate uma preguicinha rs parece ser um gênero que requer muita paciência, essa é a impressão que eu tenho pelo menos. Mas, fiquei super interessada em todos os elementos dessa história, a coisa dos feudos, das mulheres da irmandade, até os vermes. Tudo parece ser maravilhoso de ser lido e descoberto.
    Por ter sido escrito a tanto tempo, a linguagem é mais rebuscada, chata de ler? Ou deram uma repaginada nisso?
    Resenha perfeita!
    Beijo

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    1. Oi, tudo tranquilo? Não acho rebuscada a narrativa do Frank Herbert. E seria um erro imenso da aleph caso alterasse o texto. Duna não é um livro de ação, apesar de conter cenas de batalhas e lutas. O grande primor do livro está na intriga politica e em como os personagens pensam e reagem a essas armadilhas.

      Abraço.

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